Nosso tamanho nos torna megalomaníacos natos. Não sabemos pensar no Brasil a não ser em superlativos. Somos
amazônicos tanto nas nossas vaidades quanto nos nossos remorsos. Assim, a Arena, o braço desarmado do poder militar, podia dizer que era o maior partido do mundo porque, em números, era mesmo,tantos foram os políticos que a integraram naquela democracia de faz- de-conta. Outra maneira de dizer a mesma coisa seria nos chamados de a maior
sabujocracia do mundo, embora nem todos do grande partido fossem servis aos militares. Muitos fizeram respeitáveis carreiras no partido oficial, e ,se foram cúmplices na farsa, o
MDB, a seu modo, também foi. Depois,com o fim do regime militar, o voto obrigatório nos autorizou a dizer que éramos, em proporção à população, a maior democracia de verdade em funcionamento no
mundo. E o que sentimos ao descrever nossas mazelas gigantescas só pode ser descrito como orgulho desvairado,quase uma forma de
unfanismo. Nenhum outro país é tão corrupto quanto o nosso. E estamos sempre superando nossas próprias marcas. O escândalo do
mensalão era o maior de todos os tempos. Agora o escândalo das
sanguessugas é maior do que o escândalo do
mensalão.
Eta nóis!
Não quero desiludir ninguém, mas eu estava lendo uma matéria no
New York
Times sobre
superfaturamentos,custos fictícios e outras falcatruas de empresas americanas contratadas para reconstruir o Iraque, e à medida que lia, minha megalomania murchava. Até nisso eles nos humilham.Não era só o volume de dinheiro desviado,muito maior do que em qualquer concebível escândalo brasileiro. A
Bechtel, a
Halliburton, ligada ao
vice presidente
Dick Cheney, e outras empresas americanas ganharam, com exclusividade( "Nossa sujeira limpamos nós" é o lema implícito) e sem licitação, os contratos para reparar os estragos feito pelo outro lado do complexo de indústrias e serviços subsidiado pelo Pentágono, e que também tem uma longa história de enganar seu contratante. Mesmo com os
bilhões de dólares gastos e roubados, e alguns anos depois da queda do
Saddan,ainda não conseguiram
reestabelecer completamente a
eletricidade no país. O
Times cita como exemplo da roubalheira da reconstrução de um hospital para crianças em
Basra. O prazo já venceu, o custo já se multiplicou várias vezes e o hospital continua inacabado.
E o pior para o nosso ego é que, com tudo isso, você não ouve os americanos dizerem que são os mais corruptos do mundo. Ainda por cima nos arrasam com sua modéstia.
- Veríssimo
* Salve-se quem puder!